terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Caricaturas políticas



A esquerda combate uma caricatura da direita por ser vantajoso ao marketing revolucionário.

A direita combate uma caricatura da esquerda por não existir outra versão.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Manos e minimanos

Manos
Os manos são, sem dúvidas, personagens do nosso século. Em todo o planeta pode-se contemplar aquele gingado rapeiro (lê-se répêiro). 

Interessados em bizarrices humanas, como eu, encantam-se com tal marcha, precisa e pontuada. A um só tempo, parece alçar voo para o Infinito Reino dos Manos e ser engolido pela terra, num arrastar às trevas do Hip Hop.

Avisto-os nas ruas com suas poses imponentes e trajes distintos, uma marca peculiar e invariavelmente presente. 
Infla as asas como uma águia e, num rebolado felino, ginga cada passada rumo às suas aventuras submundanas. 

E foi-se o tempo em que as vilas eram seu habitat natural. Ele ostenta a agressividade de um guerreiro urbano por todos os bairros. 

Atualmente, o mano até varia de classe: há o mano pobre, o mano classe-média, o mano playboy e até o mano aristocrata. Globalizado e periférico, é precaridade constante no primeiro, segundo e terceiro mundo. Kitsch, ridículo e nosso. 



***

Minimanos 
Aqui descemos um degrau: um minimano é mano em versão diminuta. Mas não confunda minimano com mano-mirim. Criança mano até tem seu charme patético; mano anão é outro deleite.

Há uma extrema contradição nessa existência. O tradicional guerreiro, imponente e agressivo, reverte-se no seu oposto. Ele é força e fraqueza; gigantismo e pequenez; cosmopolitismo e excentricidade minoritária.

Ainda que raro, esse pequeno-polegar da vida-loka é apenas consequência da popularidade de sua versão crescida. É uma miniatura cuspida pelo mercado de micro-nicho, simulacrinho de paródia, como um chaveiro do Superman de Rob Liefeld.

Anões fazem rir. Minimanos fazem refletir. Eles existem e estão lá, clamando seu olhar. Portanto, quando tiver a sorte de admirá-los, deposita neles sua atenção.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Frases políticas do século 21

Qual a melhor?

1. "Foram muitos avanços" - pessoas à esquerda (governistas)
2. "A oposição acordou" - pessoas à direita (oposição)
3. "Nem esquerda nem direita" - pessoas acima (libertários e Caetano Veloso)

Não sei se são as melhores, mas, certamente, foram as mais ouvidas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O mito do leitor

Se as artes visuais e a música foram bombardeadas por idiotices dos seus, a maior bordoada contra a literatura veio de fora. O inimigo, aqui sim, foi o mercado.

Hoje abundam nas livrarias títulos cujos autores estão longe de serem o que na civilização ocidental convencionou-se chamar de "escritores".

Vlogueiros, esportistas, musicos e, pior, jornalistas vomitam publicações cotidianamente, massacrando o ofício da palavra e trazendo a literatura ao chão. Não que não devam escrever seus pensamentos: o problema está em compartilhá-los.

O mito que sustenta toda a patuscada é a ideia do bom leitor: os livros nascem bons, a interpretação corrompe-os. Criou-se a ideia de que o que vale é a leitura por si mesma, não importando a qualidade da forma e do conteúdo.

No vigésimo primeiro século posterior a Cristo, o que torna um indivíduo superior ao seu semelhante é o fato de ele ler. Para provar que a leitura melhora-nos, botamos na mesma estante quem lê Crime e Castigo e quem lê 50 Tons de Cinza.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Geração Omelete

Antes, ninguém decidia ser nerd. Decidiam pelo outro. E chegava-se ao nerdismo de várias formas: quadrinhos, ciência, cinema americano, ou por falta de sexo. Não havia orgulho, mas havia vantagem: blindava-se ao pensamento único. Pois a inadequação definia o nerd

Agora, nerdismo é grife. Tornou-se uma tribo urbana diferenciada, cujo habitat é o próprio quarto ao invés das ruelas, e o hobby é a punheta ao invés da música. O sentido orgânico perdeu-se: ser nerd agora significa vestir-se com uma colcha de retalhos de específicas HQs, específicos filmes, específicos livros, de específicos sites e, é claro, vindos da geração dos super-heróis das minorias combalidas, de específica opinião política. 

E, acredite, a máscara que usam para ocultar sua sabida insignificância juvenil ainda gera-lhes orgulho. Se antes a inadequação ditava as regras, hoje a a fórmula pré-concebida define cada cópia.

***

Em nenhum outro segmento da cultura ambicionado pelos bárbaros do politicamente correto o feminismo imperou tanto quanto no nerdismo. Por ser um grupo composto por uma maioria de rapazes com medo de decepcionar as damas, as feministas auto-decretaram-se guardiãs e líderes do futuro nerdista, com aval dos meninos (como se damas elas fossem).

Ao observar esse pateticismo, aprendemos muito sobre comportamento animal e rimos, com pesar, da miséria humana. Ao menos algo nos alivia: o homem já garantiu sua estupidez por mais algumas gerações, e nós, praticantes da autodepreciação, garantimos mais algumas décadas de entretenimento mórbido.

sábado, 31 de outubro de 2015

Dia do Saci

Acabou de passar o Dia das Bruxas, data importada dos americanos. Para driblar o imperialismo que atenta até às datas comemorativas, Aldo Rebelo teve a ideia de criar um dia horrendo, grotesco e obscuro para chamar de nosso.

O Saci foi a figura escolhida. Agora, como prova de que não somos influenciados pelos EUA, no dia 31 de Outubro comemoramos o Dia do Saci.

Aceito a ideia, mas não o homenageado. Acho que se era pra escolher um personagem brasileiro horrendo, grotesco e obscuro, deveria ser, sem dúvida, o Aldo Rebelo.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Batman contra Superman

Sairá o filme "Batman versus Superman". Creio que seja esse o nome.

Sou mais Batman: ele é um reacionário misantropo, obscuro, um tanto cruel, e leva consigo a mais alta ojeriza à bandidagem, mas sem ser legalista.

Já o Superman é simplesmente um cuzão. 

Na história do escritor Mark Millar, "Entre a Foice e o Martelo", isso fica claro. O universo paralelo da história, no qual Superman é soviético, não evidencia o "lado mau de Clark"; mostra ele em essência: um herói totalitário. 

A sanha por salvar a humanidade tira dela qualquer liberdade. Ali a diferença não está em Clark e Lex Luthor, mas na realidade social e política de cada personagem. A índole dos personagens é a mesma.

Mas voltando ao filme, a pergunta rotineira sobre o embate de Batman e Superman volta a mim: torcerei para quem? 

A resposta é óbvia.

Superman é cuzão, autoritário, chapa-branca e fascista. Batman é Ben Afleck.

Vai Superman!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Não posso ser liberal

Eu não ligo para os rumos da sociedade. Façam como acharem melhor. O ser humano é medíocre, incapaz e auto-sabotador. É um espanto termos chegado até aqui. Logicamente, deveríamos estar extintos há séculos. Contendo os radicais (nazistas, fascistas e socialistas), o que vier é lucro.

Por outro lado, acredito que uma sociedade não se torna melhor sem civilidade, e, para isso, é necessário ter recursos. E o mercado é o meio que nos disponibiliza muitos recursos. Qualquer criança que não teve contato com nenhum socialista sabe disso.

Mas é necessário manter os políticos longe dos empresários. Eles não devem fazer reuniões, porque, se fizerem, o instinto safado do ser humano prevalecerá.

Os liberais defendem essa visão: todos os empresários longe dos privilégios políticos para haver competição justa.

Mesmo sendo capitalista, não posso ser liberal, porque não compartilho desta visão. Para mim, um empresário, só um, pode receber benefícios da população para ajudar no seu negócio: o Silvio Santos.

Quando criança não tive contato com socialista, mas tive com o SBT.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A cura para o Brasil

Tenho a solução fácil para todos os problemas do país. Ou pelo menos, todos os problemas políticos. 

O psicólogo Milton Erickson ensinou os terapeutas hipnotistas que eles deveriam utilizar as crenças do paciente para tratá-lo. Contam que ao receber um doido varrido que acreditava ser Jesus Cristo, Erickon "contratou" seu serviço de carpinteiro, para através do convívio no trabalho em umas estantes ele pudesse prosseguir com o tratamento.

A solução elaborada por mim baseia-se nisso. Devemos criar uma estrutura de desinformação atuando nos jornais, TVs, rádios, e picadeiros. Trabalhamos então para construir uma, somente uma, mentira: que o governo é fachada dos tucanos. 

Como todo radical no Brasil, esquerdista ou direitista, acredita que o PSDB está por trás de tudo, os malucos do radicalismo político começarão a enxergar as danosas ações desses cretinos e trabalharão com vigor para a derrubada do governo. Não demorará 1 ano para todo monumento construído durante décadas vir abaixo.

Erickson nos deu a chave da mudança. Usar as crenças dos loucos é o caminho mais curto para a cura.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Crítica de cinema

Dou atenção aos críticos de cinema.

Quando a geração politicamente correta começou a chegar nas redações, passei a ver lampejos de verdades ocultas e ter insigts precisos.

Por exemplo, o crítico da Folha esclareceu aos cegos leitores que "Dredd" só agradaria fascistas, porque o personagem é um. Devido a isso, recusei ver Toy Story 3, pois não iria gostar mesmo, já que não sou um boneco caipira.

Agora, às vésperas da estreia do novo Jurassic Park, leio que se trata de um filme machista, pois "o homem é bom caçador, protege as fêmeas e se impõe sobre os rivais". 

Como não sou isso aí, certamente não gostarei. Mas um filme cujo personagem é bom caçador, protege as fêmeas e se impõe sobre os rivais deve ser foda pra caramba, né não?

Eis uma lição que tiraremos: Não é porque uma coisa é politicamente correta, que é também darwinisticamente correta.



domingo, 14 de junho de 2015

LGBT e Cristo

O debate da semana circundou a Parada Gay. E como todo debate no Brasil, ficou preso a gritos de torcidas que desconhecem o raciocínio lógico. 

Uma transsexual - creio que fosse - fez um mise-en-scène bobo em cima de um carro alegórico, vestida de Cristo e amarrada numa cruz. Alegava ser a "metáfora" para o sofrimento de gays.

Independentemente da crença, é essencial perceber algo: Cristo realmente foi pregado na cruz. Para cristãos há uma dimensão transcendental nesse fato. 

Obviamente um secular esquerdista não a vê, então arrasta apenas o fato material do acontecimento e se choca pela reação dos fieis. 

Devem todos engolir a analogia, pois a interpretação é a única correta.

O ponto importante da questão é que a pessoa na cruz não quer levar a causa adiante, ela queria apenas chocar. Se quisesse conscientizar realmente, buscaria o apoio da maioria da população, que é... cristã. Mas o caminho que escolheu foi o do confronto.

Muito inteligente.

Assim como um Malafaia aumenta a quantia de anticristãos, essa pessoa aumenta a quantia de opositores aos LGBT. Não percebe que faz um desserviço à causa que diz defender.

Agora uma questão de ordem moral: quem pagou a festa foi a atrasada população cristã.

sábado, 13 de junho de 2015

Antônio Gramsci

A estratégia de Gramsci é simples e pode ser resumida assim: para que o povo aceite o socialismo, é necessário transformar todos em idiotas. 

O problema é quando surgem indivíduos que constestam. Aí nada mais pode ser feito, pois a militância gramsciana é incapaz de derrotá-los por já terem sidos idiotizados. 

Gramsci não percebeu isso. Para ele não existia verdade nos meios, ela seria modelada de acordo com a demanda de sua massa de lobotomizados. Propôs a idiotização em massa, e foi o primeiro idiotizado pela proposta. Na medida em que concebia o grande plano, tornava-se mais idiota. 

Isso prova ao menos duas coisas: a eficácia da estratégia e a estupidez infinita de Gramsci. Mas não há falência para um retardado assim: há sempre o Brasil.

***

O problema da esquerda é que seus partidários confiam em teorias de escritores mentalmente debilitados. Os que veem em Gramsci o gênio da estratégia são um exemplo: não enxergam nele a incapacidade de ver a realidade realmente crua. 

O autor afirma, resumidamente, simplesmente isso: a fé no comunismo pode continuar existindo para todo o sempre; desde que existam atores políticos que tapem os ouvidos para as refutações gritando "LÁ-LÁ-LÁ, NÃO ESTOU OUVINDO!!!".

A estratégia extremamente eficaz de Gramsci só não inclui as medidas a serem tomadas quando aparecessem fortes iconoclastas - e eles aparecerão - em um momento em que ainda os gramscianos não têm meios para fuzilá-los.

Em 100 mil páginas dos Cadernos do Cárcere, o sábio autor não reservou uma sessãozinha sequer ao combate dos efeitos colaterais. Patético.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Oposição de esquerda

Se um partido como o PSOL se diz "oposição de esquerda" ao governo, mesmo sendo uma espécie de PT crossdresser, devemos estudar como a esquerda "se opõe" a ela mesma.

E a oposição entre esquerdistas é uma das coisas mais curiosas do reino animal. Nada nas 745 horas de Animal Planet que assisti, quando ainda podia pagar TV à cabo, me deixou tão intrigado. Em termos de depravamento e sem-vergonhice, empata com os bailes funks, da mesma espécie, e o reino-orgia dos bonobos. 

Seja entre centro esquerda e extrema-esquerda, ou extrema-esquerda e esquerda mais extrema ainda, tudo não passa de um congresso no DCE. Quando divergem, um só quer provar que o outro é menos esquerdista. "Oposição entre esquerdas" é isso: concurso de quem é mais esquerdista. 

Na verdade, mantêm o jogo propositalmente, como dois menininhos que discutem quem terá o controle 1 do video-game só para que um terceiro não possa jogar. Mas para assustá-los basta fazer buu: no fundo acham que estão sozinhos em casa.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Caridade institucional

O governo brasileiro é transparente. Vemos perfeitamente o plano totalitário através da superfície democrática. Eu sei que projetos de poder são o resultado mais provável quando juntam homens e governos. O que intriga é a aparição de apoiadores trogloditas ostentando uma áurea sacrossanta. 

A explicação para o fenômeno é simples. O mundo virou um concurso de quem se preocupa mais com os necessitados e com o futuro da humanidade. E no Brasil, preocupar-se com os necessitados é votar no PT, sempre com a desculpa da "caridade" engatilhada. 

Os petistas querem ajudar os pobres mas sem sujar as patinhas com a pobreza. Por o estado fazer o trabalho duro da mediação do dinheiro, dão o direito dele pegar uma parte, tipo uns 99,9999%, como o grupo de maconheiros que recompensa com mais fumo o corajoso que vai comprar do traficante.

Se a sociedade se encantasse com quem come merda, se isso parecesse algo bom, transudo, prafrentex mesmo, teríamos que ver diariamente fotos de brasileiros com a boca suja e guardanapo de papel higiênico enrolado no pescoço. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Gregório Duvivier

É verdade que o humorista não se queima, pois ele é o incêndio. Mas essa malícia deve estar ligada à quintessência do humorista: a graça. Se não, o pretendente cômico passará por um completo idiota. 

Gregório Duvivier exemplifica. Ele, como é comum entre os pares, ancora-se no escape humorístico com pompa de vencedor. Só que militante radical - e sabemos que ele é um -, jamais fala sobre o que vê, e sim sobre o que acredita ver. Aliado a isso, pensa que sua crença maluca pode virar realidade quanto mais proferi-la, como o indivíduo que acha que se repetir ad infinitum que é mulher, mais seu instrumento se encolherá até que vire um botão, e dali floresça uma bela vulva com pétalas carnosas. 

Duvivier ainda substitui a realidade que não vê pelo comentário boboca que julga ser engraçado. A verdade passa a estar onde encontra-se o próprio riso. 

Se diz que dois mais dois são cinco, e o contestam, com risinho de escárnio Gregório repetirá assertivamente "é cinco". Poderá ainda debochará da "coxinhez" do interlocutor e à noite irá para a cama sorrindo bobamente na plena certeza de que venceu, já que riu do próprio comentário.